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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Ei seu moço

Ei seu moço;
O vento traz consigo
do fundo do seu fosso
rastros, rostos, amigos
Ei seu moço;
A chuva leva consigo 
pro rio além do espaço,
vidas, verdades, ambíguo
Ei seu moço;
carrego cá comigo
sonhos, amor, irmão, o que posso
e tudo mais que persigo
Ei seu moço;
A terra marcada trago
em meu corpo cada pedaço
que conservo ou estrago
Ei seu moço;
O caminho é longo 
pesado e tortuoso não esqueço
peço pão, um gole e mais um trago.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Memórias Tortas

E já não vago no trem fantasma
de calçada em calçada, em agonia íntima
já não sou mais vítima e carrasco
já não mais vivo a passos juntando cada caco

não mais acordo pelos cantos
eu já controlo meus prantos
pontos impregnados na alma torta
que não mais se perde na balada da lata

o que resta é a memória nata
de uma dança, de cada passo
de um sentir, de algo que falta

uma memória intimamente ingrata
inimiga amada, guardada, trancada
esculpida na carne, talvez, nunca parta.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Meu tempo

Não faço do seu o meu tempo
ando por ai me perdendo
o presente mostra seus dentes, topo
com eles que vão me mordendo

as vezes paro, outras saio correndo
mastigado sigo feito trapo
me visto de rato, no buraco vou seguindo
me queimo, tropeço, levanto, raspo

nas arestas, ouço suas ofertas com sorriso limpo
palavras, cafés, problemas, sorrindo
sobram receitas, receitas de todo o tipo

em turbilhão de pensamento voltando
paro sem pele, desprevenido , mente e corpo
nem lobo, nem rato, sigo sem saber onde estou indo.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vinte e Sete

Entre a fumaça e o silêncio, se repete
todo um pensar, que inevitavelmente reflete
inícios e finalmentes, entre mentiras e verdades
distraído concentrado, refém, mas além de bondades e maldades

o todo, que é parte, se parte em partes
todas elas universos singulares, conflitantes
metamorfoses ambulantes, o que ganha, o que perde
a fome de tudo,  a insaciável sede

o que anda na linha ou vem pela contramão
e pela brisa corrente, pensamentos intermitentes
permeados por passados, presentes, poréns e senão

numa consciência, meramente, inconsciente
fechando abro meus olhos, flutuo pisando no chão
pela brasa luminescente, que lumia minha mente de repente vinte e sete.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Mamãe eu quero ser papa

Mamãe eu quero ser papa,
um papa, papai noel
Mamãe eu quero ser papa,
em um castelo de papel
Mamãe eu quero ser papa,
ir num navio rumo ao céu
Mamãe eu quero ser papa,
e tomar banho de chapéu
Mamãe eu quero ser papa,
ou um Al Capone infalível
Mamãe eu quero ser papa,
e um bolero de Ravel
Mamãe eu quero ser papa,
ou terremoto imprevisível
Mamãe eu quero ser papa,
duma história inconfundível.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A Fábula do cisne e do corvo.

Em uma floresta distante
o cisne era o cuidador oficial da saúde dos habitantes
dos trópicos era uma imensa floresta
e os cisnes não eram presentes em muitos lugares dessa mata,

cavalos, lobos, preas e pacas
passam a vida sem ver um cisne, ataca
a doença, contra-ataca com ervas e água abençoada,
a sabiá, coitada, morreu sem ser diagnosticada

até que um dia em tarde de revoada
corvos cuidadores,com suas boas novas recém chegadas
migraram. As formigas ficaram encantadas

pois lhes parecia chegou o grande dia
cuidar da saúde não seria apenas pra raposa e sua cria
o tatu ficou animado, depois de tantos anos cavando finalmente seria tratado,
a hiena ficou cismada, seu negócio de cadáveres seria abalado?

Mas o porco do jornal PIG estava inconformado
como o Conselho Geral da Mata havia permitido
que estes corvos estrangeiros, aqui viessem prestar seus cuidados,
ora essa sempre foram os cisnes, tudo estava muito mudado.

E os cisnes? Estes embalaram o coro
indignado, perdidos, desconfiados, berravam feito loucos:
- Como assim, eramos os únicos sublimes!  A um corvo, EU, não me comparo!

E entre as tempestades, os ventos e o sol da tarde
na irônica florestas dos límpidos e cândidos cisnes intocáveis
corvos não podem cuidar dos ombros onde apenas o trabalho é que age e arde.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sobre professores e alunos.

Fico então parado e vagando
talvez, melhor desempregado 
a ser alvo de veneno de rato
ato de um determinado esperto

tirando um barato de morte
que não é suficientemente inteligente
pra ver que a questão está na sociedade
no sistema, o Estado, na cidade

fácil eliminar um operário do giz
abraçar vereador, deputado e senador
louvar o patrão, o que me diz

só conjuga o verto ter, infeliz 
da servidão, cidadão propagador
vítima e agressor de um conjunto de ideias vis.