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domingo, 21 de outubro de 2012

Reuniões

Em meio a multidão disforme
que berra, sussurra, consome
cada palavra, bebida ou gesto
como um mosntro louco e inquieto

Que se move por fluxo de convulsão
expostos e inesperada, forte feito furacão
que quando passa leva consigo quebrados partes e pedaços
de mentes e corações assim lançados ao espaço

Assim deixados ao leo, largados no sereno
pensando, sentindo e sofrendo por migalhas de ilusão
que não passaram de uma grande dose de um delicioso veneno

Também sendo assim, recolho pedaços de mim
e  pela estrada sem fim, por hora sozinho
mesmo que em meio a multidão, sozinho sim. 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Insonia

A cabeça funciona demais
ideais, loucuras das mais racionais
circulam assim pelo meio estreito
do cérebro mais insano e imperfeito
sujeito, aqui aquele que pratica ou não ação
seja quão obscura ou obscena perdida na imensidão
mais profunda e penosa, resgatada num breve segundo
devorando e sendo devorado no tempo de um mundo
qualquer, a realidade tece seus altos muros
impostos ou expostos, dispostos, sai caro
raro, são os desordeiros que se negam a ela
tão singela e suavemente venenosa e por demais bela.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Momento

No atual momento em que todas as musas se encontram ausentes
assim meio que de repente o passado entorna quieto
enebriando o resto do meu eu mais consciente
ora veja senhor presente, que embriaga minha mente e toma meu rosto

Pondo em xeque os opostos, os mais dispostos a disparates
tornando-se meros inconsequentes, perante o jogo posto
mero esboço em meio a surtos, devaneios de meros inconscientes
estes como descrentes das doces ilusões de cada momento

De onde a cada segundo eu escuto deliciosamente
meras palavras que habitam a mente, rastros
feito a calda dos astros que nos decifram historicamente

Venha a nós senhor presente, nos mostre seu rosto
e que venha o resto, não importa o gosto e sim o que se sente
amargo ou doce, é parte integrante do mundo dos sábios mais astutos.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um samba pra você

Eu fui tentar escrever um samba pra você
tudo o que me soou foi dor e solidão, parece
que foi só o que sobrou dessa nuance de paixão
me esquece você diz e eu como aprendiz sofro de ilusão

Na contramão meu coração finge que esquece
pois não apetece pensar em ti mais não
usar a razão talvez eu tente, talvez eu não quisesse
anteriormente, enlouquecia ao te por a mão

Meu coração está na labuta e antes que o dia anoitece
acontece a regeneração, palmo a palmo, mão a mão,
reconstituição, meio colado como que se um pedaço caísse
e existisse a parte sem o todo, a veia sem coração

Lírica sem emoção, monotonia que cresce
talvez, outro amor, que em meio as nuvens frias viesse
vai ver até cresce, tomando como a imensidão
alusão que remete a novos sofrimentos profundos de paixão.

sábado, 13 de outubro de 2012

Ao camarada Luisinho.

Ah meu caro amigo você vive,
vive em cada um com quem você esteve
e está, vive no coração do samba
vive no pandeiro que chora na mão dos bamba

E o samba nunca parou, continuou magoado
com um nó na garganta que pra desatar foi demorado
acabrunhado, rasgado, rodado, vai ser assim
em tua homenagem hoje o samba não tem fim

Afinado o sete cordas chora, mas não está sozinho
profundo soa o bumbo e ecoa assim
sentido o atabaque bate no peito feito moinho

Que sangra, mas sorrindo feito você fazia
que sorria, que vivia uma bela vida,
pois só os guerreiros possuem a paz que em sua alma trazia.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Considerações

As coisas são como são
calado, sou levado a reflexão
penso ou penso que penso
pensamentos assim suavemente tensos

Endureço, as vezes, frio se torna meu coração
são incoerências, inconsistências, dentro das quais eu apareço
não pareço com nada disso, emoção
e improviso, risos é com isso que me faço

É em meio a problemas e a embaraços
que eu mesmo existo, forjado na contradição
nunca parado sempre procurando espaços

As vezes na contramão, as vezes, sem direção
sem rótulo, devorando amores escassos
Sem eira nem beira, lápis e papel em triste relação-reflexão.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Roda

Se o topo da roda gira
Se o topo da roda geme
Se o topo da roda pira
Se o topo da roda espreme

Roda roê fria cada centímetro
Roda, roda tenra, queima o dia
Roda minha, lenta, tardia, espectro
Roda vazia, estúpida que se perdia

Dias longos, vidas simples, vidas vadias
Dias, outras vias, incertas, esguias
Dias e mais dias, horas vagas, noites, vidas

Vidas que viajam pela fina neblina
Vidas tão opacas, a míngua, vida ferina
Vidas simplesmente vidas, rápidas, passageiras, cretinas.