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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Vinte e Seis.

Há os anos, já vejo seu leito
esculpido, a lágrima, riso do mais variado jeito
é sim, foi a duras penas, nem simples, nem perfeito
defeito, é o que mais se vê, mas isso é em qualquer sujeito

Não é? Ora veja se me deixo levar.
se cai é para justamente poder arribar,
quando mais é que se perde mais está a se encontrar
no próprio labirinto que o homem se vê menino a se espelhar

No passado, que se faz vivo e da lembrança se alimenta
então passado e presente se batem reverberam pra ver se aguenta
o peso da memória, que pode ser sombria que assola  e arrebenta

Com qualquer idealismo, penso mesmo em estar vivo
e perdido em tudo isso nas aulas e nos livros sou meu próprio cativo
estou sempre a pensar, comer e sonhar é assim que eu sobrevivo!


domingo, 9 de setembro de 2012

Dizeres

Não mais me perco nos teus beijos, teus desejos
tão confusos, tão incertos, tão discretos, vejo os
seus cachos tão lindos tão dispersos, como versos
livres, com rimas brancas, gracejos, inversos

São os meus sorrisos, vertendo lágrimas, lavando
como tão pura água as tristezas e os pesares
como o coração acabrunhado, partido, sofrendo
calado como quem não tem fala nem pares

No momento em meu caminho, papel, caneta e espírito
cada qual com seu sentido vem pra me acalantar
essa é a fé, na qual eu mesmo sigo, caso contrário desacredito

Boto tudo abaixo, fico doido, doído, contrariado
sem ter como lhe falar tudo aquilo que eu preciso expressar
nesse momento que há tanto a ser dito tanto a ser mostrado.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Procurando

E seguindo a estrada de tijolos amarelos
passos curtos, olhares belos e singelos
como se no tabuleiro estivesse jogando
xadrez com a vida e a cada casa pulando

Passando, procurando a uma certa saída
e vendo a cada vez mais invertida, digerida
toda peça toda oposição, situação ou invenção
construção de vida, de ideia, pensamento e ação

Que reverbera pelas vias mais sombrias
em cada canto em cada sentido atribuído
a cada palavra, gesto, intenções talvez frias

Talvez com as mais belas colocações,
mas ela pode ser amarga esguia, cheia de não conclusões
ou talvez até precipitada, que te eleva a infâmia cheio de afirmações.

 

domingo, 2 de setembro de 2012

Não me cabe

Não me cabe mais saber sobre seu caminho
não me cabe mais,  eu já aprendi a andar sonzinho
não me cabe mais  sofrer ou calar feito iludido
não me cabe mais, se fostes sincera ou tudo fingido

Não me cabe mais, há estou livre trilho meu caminho
não me cabe mais, aflito sentindo perdido sentido
não me cabe mais, nada disso, estou fora desse circo construído

Não me cabe mais, estar fugindo, fingindo não ver
não me cabe mais, deixar-me levar por falsos brilhos opacados
não me cabe mais, se quer pensar, só esquecer quando rever

Não me cabe mais, calar, resignar, ficar introspectivo
não me cabe mais, reclamar ou chorar pelo passado, passivo
não me cabe mais, estou calejado, cada vez mais, com cada luta que travo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Mudança

Quando as vezes forçado a refletir, sobre mim mesmo
paro e me perco em meio a palcos, palácios e palafitas
em meio a tanta vida que jorra assim jogada ao esmo
erros, ensaios, acertos, meros ensejos para que se reflitas

Sobre o choque entre as diversas opiniões, oposições
das ideias mais distintas, que por mais distantes talvez se aproximam
talvez algo que verse sobre uma certa crítica da crítica crítica, criticam
todos os escribas, letrados, filósofos, doutores e suas soluções

Contemplando as mais diversas situações, problemas criados fora
para que de fora dependas toda a busca o entendimento de si
quando tudo que te bastas nada nessa densa alma, de onde aflora

Todo o sonho que move a imensidão e compõe a vida e nasce
dele todo impulso que mais no susto nos faz levantar ir lá para fora
viver, sobreviver, reviver, subverter, inverter e desdizer tudo o que eu disse.  

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sonhei

Sonhando tranquilo, infelizmente acordei
tropecei, cai de canto, mal andando
mal cantando, como que de olhos fechados levantei
meio caindo, seguindo torto meio bobo caminhando

Com passos de criança que desajeitada dança
que tem o vento, lento, reto que traça
passa, leva e lava a alma de lágrima
que cava e encrava, um leito de sofrimento e magma

Que marca na alma depois que a chama se apaga
numa dor doída como ela só,
nó na garganta, peito apertado, saudade amarga

Distância larga, cabeça longe o amor me foge
como o coelho correndo, ou Alice caindo no espelho
nos meus olhos vermelhos, de ontem que doí hoje

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Soneto ao Samba

É num samba rasgado, florido do sábado
bem simples cantado, de pandeiro e violão
lembram dos que já passaram saúda os que virão
chora triste, lamentação de um peito tão chorado

samba quebrado, que segue pesado, poeira levanta
e todo mundo se assanha, sandália sozinha começa sambar
morena quebrando, seus cachos saltando, vestido a rodar
olhos brilhando, sorrindo, tentando a tristeza espanta

de um peito doído, rasgado e aflito de tanto se agoniar
mas se é disso que é feito a vida, o amargo e a delícia
vivamos intensamente cada sol e cada lua a se colocar

a boêmia, a poesia que é só sua, vem me iluminar
pelo ar compõe a minha alma me faz continuar
continuar nesse caminho sem eira nem sentido, caminhar.