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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Morte

Algo para o qual basta estar vivo
todo e qualquer pode ser alvo
faz ou não seu doloroso alarde
alguém que parte outro que perde

se por um acaso, desastre
uma doença triste, entre,
um ou outro passo, um tropeço
um fim, um meio ou um começo

inevitável destino a ser aceito
tal como o vazio no fundo do peito
que as vezes nem o tempo da jeito

mas se for pra chorar, faz-se aqui assim
com papel, caneta e poesia sim
a tinta são as lagrimas que a caneta derrama por mim.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Tropeço poético

Andando por aí,
tropecei numa poesia
distraído quase caí,
de uma nuvem fria

montado em uma ideia
a galope então saí
pensando no que faria
no que foi ou ainda vai

rabisco a feia caligrafia
uma rima que se esvai
de algo que se dizia

que eu já nem me lembro mais
perdida pelos labirintos da memória
que tinha um pouco de guerra outro tanto de paz.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Memórias que falam

As vezes me lembro de dias tranquilos
de um passado, o qual, muito bem eu vivi
do tempo em que compridos eram meus cabelos
assim como o meu desejo e curiosidade, chave,

de portas, sendo abertos, não importa
o quão profunda fosse, seria ela aberta
muita viagem longa, sem mesmo sair do lugar
muitos amigos loucos com sua presença ainda a nos brindar

há alguns outros, inesquecíveis, em outros planos
talvez, esperando um encontro no próximo bar
saudosa memória, que os olhos molham ao passar os anos

também me lembro de tempos intranquilos
daquilo que a cada suspiro a memória teima em não esquecer
de cores, sons e cheiros, que ainda hoje arrepiam os pelos

que faz o coração acelerar e estremecer
um turbilhão de ideias em confusão e foscas
como que assim vagando numa paranoia louca
que pouco a pouco, de você e de tudo te faz esquecer

e por mãos de amor, fraternidade e entendimento,
memórias obscuras foram naturalmente clareando
se refazendo, voltando ao lugar o sentimento
e assim de algo demolido, fui eu me reconstruindo

Inspirado em cada mão amiga do caminho
calejado pelos buracos profundos e pelas trombadas
sigo eu, mas nunca mais segui sozinho

Além de minha mãe, meu velho pai
cada amigo, que em presença ou lembrança não se vai
tenho também cá comigo, um anjo e nosso amor como abrigo.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Eu e a poesia

Fecho os olhos, abro a alma
levanto voo, me invade a calma
o tempo não existe mais
eu vou pra longe demais

de qualquer razão ou teoria
os dedos em plena alegria
a tristeza pondo-se a relatar
e do espirito o mundo como altar

expiro então uma rima vadia
que some hoje, volta um dia
hora tranquila, outra, arredia

de um que chorava, outro sorria
da moça bonita, ou a nuvem fria
em coito de eterno fruto, eu e a poesia.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Complemento

De toda certeza sou eu a contradição
de toda paixão sou a razão
da sanidade sou eu a loucura
do dia claro sou eu a noite escura

do meu peito, é você o coração
é então o sim do meu não
do meu caos é a tranquilidade
calma do campo em minha cidade

a paz que sem pedir invade
o sonho presente em minha realidade
é então a ideia do meu pensamento

a parte singular de cada momento
da estagnação meu movimento
das revelações é o meu segredo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Golpe

À aqueles parados fumando na esquina
aos que falaram das flores
os que provaram destes cálices
a todos que ficaram em cana

Para os amores que só restaram as dores
aos ossos ainda em vala desconhecida
as mulheres violentamente violadas
aos desaparecidos contestadores

Às mentes torturadas para sempre afetadas
as crianças para sempre abandonadas
em memória e vergonha de todos os horrores
para que não esqueçamo-nos dos ditadores

hoje sem sua farda e suas flores
continuam no planalto furtivos feito ratos
escondidos, bandidos, em diferentes cores
ainda mancham o presente com o sangue de seus rastros

terça-feira, 25 de março de 2014

Entre os pensamentos

Na velocidade da luz do pensamento
eu me acho me perdendo
pela luz que atravessa o olho torto
eu enxergo me cegando

de escuridão vou me iluminando
e de longe eu estou perto
de sanidade vou me entorpecendo
e assim parado eu salto

e mesmo calando solto um grito
asfixiado ainda assim respirando
estando preso ao mesmo tempo solto

sempre indo e voltando
na calmaria ou em mar revolto
leve feito uma pluma e o pensamento pesando.