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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Retrato Humano

Sou meio contradição,
outra metade de certeza
parte de sim outra de não
obscurecendo com clareza

a força bruta e a fraqueza
em estática e em ação
de tom irônico e a franqueza
o racional e o coração

a leveza e o que pesa
o indizível e a explicação
o caçador e a presa

o amor e o ódio na mesa
o desentendimento e a compreensão
alegria e  tristeza.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mais um tempo

Mais um tempo
uma conta,
uma nota,
mais um trapo;
Mais um tempo
um trago, o cigarro
quase um sarro,
tudo limpo;
Mais um tempo
de dor e amor,
senso de humor,
ideia de todo tipo;
Mais um tempo
uma prova
que crava
no pensamento, no topo;
Mais um tempo
assim vai transcorrendo
dias passando, chuva caindo;
Mais um tempo

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Palavras Cansadas

Palavras cansadas brotam na mente
dos cantos mais escuros
de propósito mais demente
de repente me deparo

com os dedos escorrendo
um verso assim débil
um pensamento perdido
uma obra bondosamente vil

escondida entre os dentes
em meio a saliva, prestes
a verter-se em uma trama envolvente

discretamente, grafite e papel
numa combinação infalível
feito as nuvens e o céu.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Ei seu moço

Ei seu moço;
O vento traz consigo
do fundo do seu fosso
rastros, rostos, amigos
Ei seu moço;
A chuva leva consigo 
pro rio além do espaço,
vidas, verdades, ambíguo
Ei seu moço;
carrego cá comigo
sonhos, amor, irmão, o que posso
e tudo mais que persigo
Ei seu moço;
A terra marcada trago
em meu corpo cada pedaço
que conservo ou estrago
Ei seu moço;
O caminho é longo 
pesado e tortuoso não esqueço
peço pão, um gole e mais um trago.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Memórias Tortas

E já não vago no trem fantasma
de calçada em calçada, em agonia íntima
já não sou mais vítima e carrasco
já não mais vivo a passos juntando cada caco

não mais acordo pelos cantos
eu já controlo meus prantos
pontos impregnados na alma torta
que não mais se perde na balada da lata

o que resta é a memória nata
de uma dança, de cada passo
de um sentir, de algo que falta

uma memória intimamente ingrata
inimiga amada, guardada, trancada
esculpida na carne, talvez, nunca parta.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Meu tempo

Não faço do seu o meu tempo
ando por ai me perdendo
o presente mostra seus dentes, topo
com eles que vão me mordendo

as vezes paro, outras saio correndo
mastigado sigo feito trapo
me visto de rato, no buraco vou seguindo
me queimo, tropeço, levanto, raspo

nas arestas, ouço suas ofertas com sorriso limpo
palavras, cafés, problemas, sorrindo
sobram receitas, receitas de todo o tipo

em turbilhão de pensamento voltando
paro sem pele, desprevenido , mente e corpo
nem lobo, nem rato, sigo sem saber onde estou indo.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vinte e Sete

Entre a fumaça e o silêncio, se repete
todo um pensar, que inevitavelmente reflete
inícios e finalmentes, entre mentiras e verdades
distraído concentrado, refém, mas além de bondades e maldades

o todo, que é parte, se parte em partes
todas elas universos singulares, conflitantes
metamorfoses ambulantes, o que ganha, o que perde
a fome de tudo,  a insaciável sede

o que anda na linha ou vem pela contramão
e pela brisa corrente, pensamentos intermitentes
permeados por passados, presentes, poréns e senão

numa consciência, meramente, inconsciente
fechando abro meus olhos, flutuo pisando no chão
pela brasa luminescente, que lumia minha mente de repente vinte e sete.