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terça-feira, 9 de junho de 2015

Guerra

Enquanto por aqui
o que reina é a indefinição,
com essa sensação
de estar sempre sob ataque

vindo de todos os lados
e dessa forma nunca se sabe
se tudo se acabará ou se coube
em uma ideia, pensando

e pesado e entre correntes
deixando o que é importante
ou até mesmo o que é coerente

indiferente aos próprios pensamentos
de cada sujeito em seu momento
fazendo dessa roda morta seu alimento.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Vivências

Da ponta dos meus dedos
emaranhado com a caneta
escorrem assim meus pensamentos doidos
vindos da minha consciência torta

e quando se abrem tantas portas
em rotas tortas ou verdes veredas
e tão loucas quanto incertas
quantas lembranças perdidas,

quantas as alegrias doídas
ou as tristezas que afagam
amargam vivências adocicadas

em dias e noites enfumaçadas
houveram certas horas enfileiradas,
ah quantas eras perfumadas.

Verdades

Faltou um pouco de ciência
em meio a toda delinquência
escolar, artística, um pouco de teoria
que discorre sobre a miséria

tanto financeira, quanto espiritual
sendo, as vezes, intelectual
pesando os ombros, colocando todos como igual
procurando objetivo, mas qual?

a minha verdade ou outra qualquer
banal como toda imposição
requer, sem um coração se quer

entre a antena e a conexão
na cabeça nenhuma questão,
apenas como um satélite de pura captação.

Nada sei

Eu não sei de nada
e assim não sabendo
sigo eu correndo
de Punta del este a Bagdá

Na avenida Paulista
ou nas ruas do norte do Paraná
o mistério do planeta
na fumaça ou no copo de cana

no erro, no engano vendo a beleza
e o livro de poesia trancado na gaveta
jogando-o na sarjeta

lendo, praguejando em reza
e as palavras nas ruas com suas pernas
serena, interna te pega com sua presa.

Olho vivo

Sexta-feira eu estou sentado
com a cabeça virada pra baixo
sensato, pirado, no diabo eu to virado
não sou peça de engrenagem eu não me encaixo

no máximo transo de rato
com o cheiro do cavalo
pra passar a noite na cocheira e não incomoda-lo
no esquema morro ou mato

não corro, nem caio nesse conto do vigário
tenho meu salário, mas vivo de sonhar
olho vivo na virada eu não pago de otário

sabendo que viver é necessário
coisa perigosa de se experienciar
pro tolo e pro sábio seja o avesso seja o contrário.

Aparências

Põe a ideia na mente
faz a ação com a mão
e assim meio de repente
e feito racional sensação

viajando em pensamento
de um firmamento cinza
entre gramados e asfaltos
enquanto um blasfema outro reza

alguém se esconde outro sobe na mesa
e um saber que não sabe
de uma leveza que pesa

a pura dureza da suavidade
a guerra que da paz evade
na tranquila paranoia que invade.

Conclamação

Dei um tempo de poesia
deixei de lado, por ai viajei
vi o rio e a cachoeira que sorria
na estrada de terra trabalhava o sol rei

sua boca me provém o beijo
sem você eu não me vejo
seu sorriso é o meu desejo
contigo eu penso e ajo

não é que da poesia eu me desfiz
é que que ando assim tão feliz
como nunca vi ou senti antes

e eu me volto ao ver pra te conclamar
a primeira dama do meu verso
quebrado, nada reto nas cujo verbo é amar.