Total de visualizações de página

terça-feira, 1 de abril de 2014

Golpe

À aqueles parados fumando na esquina
aos que falaram das flores
os que provaram destes cálices
a todos que ficaram em cana

Para os amores que só restaram as dores
aos ossos ainda em vala desconhecida
as mulheres violentamente violadas
aos desaparecidos contestadores

Às mentes torturadas para sempre afetadas
as crianças para sempre abandonadas
em memória e vergonha de todos os horrores
para que não esqueçamo-nos dos ditadores

hoje sem sua farda e suas flores
continuam no planalto furtivos feito ratos
escondidos, bandidos, em diferentes cores
ainda mancham o presente com o sangue de seus rastros

terça-feira, 25 de março de 2014

Entre os pensamentos

Na velocidade da luz do pensamento
eu me acho me perdendo
pela luz que atravessa o olho torto
eu enxergo me cegando

de escuridão vou me iluminando
e de longe eu estou perto
de sanidade vou me entorpecendo
e assim parado eu salto

e mesmo calando solto um grito
asfixiado ainda assim respirando
estando preso ao mesmo tempo solto

sempre indo e voltando
na calmaria ou em mar revolto
leve feito uma pluma e o pensamento pesando.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Distraída disconfiança

Se poem em marcha
uma conhecida causa
não como tragédia mas farsa rasa
em uma velha e distorcida faixa

não se encaixa, uma falácia
envolvendo um deus, propriedade, família
expoente, latente de uma ânsia
por executar verdades, eliminando a quilha

tornando as superfícies planas
não há espaço para arestas
as opções são apenas estas

prefiro eu as curvas as estradas retas
metamorfoses às constâncias aparentes e pequenas
escolhas próprias distraídas vivências mesmo que a duras penas.

À mulher

Eu acordei e não sabia
que era esse o seu dia
e assim sem muito entender
o dia ou mesmo a mulher

ou o amor assim confuso
por suas belezas eu rezo
e em cada linha do meu verso
conto e componho o universo

o certo e o inverso eu queira
se em parte ou mesmo inteira
é então minha companheira

lua do meu céu de prata
jequitibá da minha mata
sonho real que eu não quero despertá.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Ecos da vida

As vezes me sinto entrincheirado
alvejado pelos ecos da vida
um grito silencioso e profundo
pretensioso buscando uma saída

uma mente, um tanto, poluída
um caminho, me encontro, perdido
pensamento sobre pensamento, dúvida
nada de tudo que tenho entendido

sido ou dito, foi então destruído
renascido, uma cilada, uma cartada
diferença e um ser sendo transmutado

assim o caos uma porta destrancada
o tempo da mudança o fluído
a paz uma chave continuamente sendo construída.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Aconchego das Palavras

Venho nas palavras buscar o aconchego
pro desassossego do mundo
procurar respostas que não consigo
mastigando, engolindo, ruminando, remoendo

fazendo de tudo, não entendendo nada
só uma esperança morta e revivida
tantas vezes, sem saída, ou a menor ideia
uma loucura qualquer, a linha da plateia

e todo verso é uma estréia diferente
solvendo a tristeza, sombria, descrente
deixando leve a alma da gente

que por algum tempo silencioso
esquece isto ou aquilo outro, desfaz-se
dissolvendo em êxtase e pleno gozo.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

No Mar

No mar eu já vi a tempestade
No mar eu já atravessei cidade
No mar eu já passei por calmaria
No mar eu já senti a noite fria

No mar remando ou nadando
No mar com as ondas quebrando
No mar todo em que me banho
No mar em meio ao rebanho

No mar já tracei plano
No mar já faz uns anos
No mar em que me vejo e me engano

No mar eu vivo amando
No mar vivendo dia por dia
No mar que extasia e tudo segue levando