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domingo, 25 de novembro de 2012

Vida rola.

E nesse jogo engraçado que é a vida
vou trombando, driblando conforme a passada
feito o tal jogador que finge não ver a bola passar
aquele que ilude, o que se põe a disfarçar

o que busca fazer a bola rolar nesse
campo estreito a cada segundo que passe
o passe perfeito buscar, jogando com a cabeça erguida
se esquivando, dividindo, apertada, sofrida

é sempre assim zero a zero, um a um
goleada não existe. parceria é com alguns
poucos, mas que compõe, de inspirações incomum

então este é o jogo, sem replay, e em fragmento
com mais de um tempo, repleto de imprevisto
e improviso, devendo se jogar como astuto, pois em meios aos tempos não há substituto.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sozinho refletindo.

É no silêncio ouvindo as próprias ideias
no mais profundo, é em um diálogo mudo
em meio a todo tipo de devaneio em que talvez se creia
incendeiam-se então as mais diferentes questões referentes a tudo

despido por indagações, feridas e desentendimentos ficam expostas
num gesto de dor, tenta-se encorbrir  o lado mais imundo
de suas escaras mais profundas, que não devia estar escrita
nem se quer que todos tomassem ciência e assim conhecendo

marcas que ainda se fazem tão fortes e vivas
de embates não conclusivos, que tem por objetivo
incomodar essa ferida de forma penosa e punitiva

esta alternativa permite estar em todos e em nenhum caminho
é então sozinho por entre portas, janelas e ideias de todo tipo
Precipito, me desfenestro pela janela de ideias que vão além de estar correta ou ser mesquinho.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Líquido solidamente desfeito

Estou eu aqui em pensamentos rarefeitos
numa insatisfação satisfeita em todos seus opostos
dispostos mesmo assim a se encontrar, retóricos
por mais que possam parecer antagônicos 

são também sinônimos de toda essa inconclusão
que se faz liquefeita, sem forma, sem posição
definida, irrestrita, infinitas suas possibilidades
que corre, deságua e permeia  um mar de infinidades

que rebate solidamente em rochedos e montes
os mais proximamente distantes, antes
únicos, hoje se encontrando, meros inconsequentes 

desfeitos de todos os laços que nos aprisionam 
se renovam as impressões, altera-se toda percepção
tão intensas, de uma realidade não crível ao que lá estavam.

Cacos de Ventos

Vaguei, vaguei, não cheguei mas percebi
visualizei que de forma quase inerente
quase que sempre sou eu este
problema insolúvel, insolente, ao que se sabe

são essas ideias desconexas que se proliferam
pelos cantos mais escuros da moral e da ética, que contaram
histórias de outrora tão dolorosas, tão ferinas
problema é esta histeria por mudanças que se mostram tão pequenas

que avexa os mais otimistas, iludidos, até traídos
pelo vento que carrega consigo, tanto faz, crime ou castigo
perdido não consigo isso daquilo tudo

que não faz o mínimo sentido
problemas são como pequenos e perigosos cacos de vidro
perdão, se levado pelo vento, fui te acariciar e acabei te machucando.

sábado, 10 de novembro de 2012

Ressaca

É quando as ondas furiosas rebatem sobre a praia
como lembranças confusas lançadas em fúria
é como acorde que reverbera em desafinada canção
é o momento seguinte que sucede a introspecção

que sucede, talvez, alguns poucos diálogos
ou até ações que podem parecer vagos
como passos num lago enebriado pelo álcool
em busca perdida de um caminho sem farol

é sim posterior ao grande bem estar e ardor
e de uma grande euforia que se torna vazia
trazendo consigo inerente ilusão e temor

Ah é o outro dia que a cabeça está doída
faz lembrar como a vida é sim para ser sentida
em todas as suas nuances, como uma busca ávida.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Desilusão

Em noite de nevoa, é onde se esconde a lua
nevoa, que desorienta que atormenta o pensar
a esse pensar confuso, essa dúvida que flutua 
que paira entre as ideias, levando ao pesar

pensar no que não aconteceu, no que pareceu
mas não é, perdendo-se entre as mais diferentes versões
que soam neurônios a dentro, o cinza se estabeleceu 
versões, invenções, retrocessos e até reversões 

de pensares tão distantes que de opostos se tocam
imagens surgem, memórias, lembranças mentes se embaçam 
passam a trabalhar em outro tempo, com as horas se atracam 

em busca de sentido, de um passado que já não existe
e se quer nem existiu, talvez em uma ilusão consiste 
e a ilusão como a única coisa que vale pena e que se insiste.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Decisão

São dias como o de hoje
é esse frio na barriga
essa perna mole, a memória que foge
é essa inquietude que agarra e se agrega

como se nunca mais fosse acabar
assim como um instante eterno
de um gozo agonizante a jorrar
adrenalina, simulações. emoções, interno

tudo é interno, para o externo interpretar
abrem-se as portas, outras percepções a entrar
em choque abrupto de ideias a atar e desatar

fazem da vida essa dadiva, esse mar em eterno fluxo
que rebate em ondas se choca com as pedras
pegando de fora, filtrando pra si num insistente refluxo.