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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O Amor

Nosso amor nasceu da poesia
de um samba na padaria
aquele dia chorava o violão
de um olhar, uma conversa, ou então,

do destino que se cumpria,
ou o simples acaso, alguém diria
a coincidência de estar no mesmo salão
a magia da música e a ocasião

eu esperando sim, você dizia não
beijos, um teimoso telefone, alegria
que ladina seguia pela contramão

do desencontro, por não ter espaço no dia
ocupado pelo trabalho sem coração
até que uma sexta-feira se abriria

uma brecha, um espaço, um vão
e brotou devagar em meio a razão
uma faísca, fumaça e de uma fagulha
nasceu um fogo e feito uma pequena agulha

foi costurando pensamento, alma e coração
assim não virou sim, coladas as mãos
de tijolo em tijolo feito construção crescia
algo tão forte e belo quanto o dia que nascia

amor vivo que, creia, cria consciência
a consciência própria da paixão
não havendo, razão, mito ou ciência

dissertação, resenha, ou solução
capaz de traduzir a essência, a cadência
de dois corações batendo na mesma marcação.

sábado, 23 de novembro de 2013

Beira de Rio

O som do rio correndo
o passarinho cantando
o som que vai brotando
da chuva segue caindo

a nuvem quase passando
o sol levemente brilhando
a fumaça densa subindo
a cabeça intensa pensando

o tempo do tempo correndo
as pedras paradas ficando
alguém segue nadando

no rio que vai mudando
pela estrada enveredando 
céu e chão vermelho grudando.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Há um louco

Há um louco em minha mente
nos olhares, gestos, nas palavras se sente
nas escolhas no presente, ou, passado
no pensamento ainda empoeirado

Há um louco em minha mente
passando ao meu lado, rente
estende a mão, me levando
pro não lugar, não mundo

Há um louco em  minha mente
perguntas, medo, confusão latente
racionalmente, eu sou o louco
que não sou eu, nem outro tão pouco

Há um louco em minha mente
há muito tempo obscuro e incandescente
a própria presença e a ausência
tudo que é ideia e em si, vivência.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Mundo Poesia

De volta pro meu mundo
o mundo das palavras
brindamos o sucesso ido
bebemos o fracasso que lavra

e fica, finca feito faca
na alma uma brisa fria
refletindo tudo no que se creia, ou se cria,
nublando feito noite opaca

ideias leves e pesadas pensadas
num redemoinho de ecos
distorcidos, imagens prensadas

aromas e sabores dos mais singulares
entre sonhos e as realidades,
todos os versos tem seus pares.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Retrato Humano

Sou meio contradição,
outra metade de certeza
parte de sim outra de não
obscurecendo com clareza

a força bruta e a fraqueza
em estática e em ação
de tom irônico e a franqueza
o racional e o coração

a leveza e o que pesa
o indizível e a explicação
o caçador e a presa

o amor e o ódio na mesa
o desentendimento e a compreensão
alegria e  tristeza.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mais um tempo

Mais um tempo
uma conta,
uma nota,
mais um trapo;
Mais um tempo
um trago, o cigarro
quase um sarro,
tudo limpo;
Mais um tempo
de dor e amor,
senso de humor,
ideia de todo tipo;
Mais um tempo
uma prova
que crava
no pensamento, no topo;
Mais um tempo
assim vai transcorrendo
dias passando, chuva caindo;
Mais um tempo

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Palavras Cansadas

Palavras cansadas brotam na mente
dos cantos mais escuros
de propósito mais demente
de repente me deparo

com os dedos escorrendo
um verso assim débil
um pensamento perdido
uma obra bondosamente vil

escondida entre os dentes
em meio a saliva, prestes
a verter-se em uma trama envolvente

discretamente, grafite e papel
numa combinação infalível
feito as nuvens e o céu.